Medo, uma história e a Vontade.

O medo é um estado de progressiva insegurança e angústia, de impotência e invalidez crescentes, ante a impressão iminente de que sucederá algo que gostaríamos de evitar e que progressivamente nos consideramos menos capazes de fazer. (Dalgalarrondo, 2006)

Estranho é como esta sensação, algo imaterial, toma-nos aos poucos e personifica-se em nosso interior, impedindo que nada além da ansiedade e insegurança povoem nossos pensamentos, circulando desespero em nosso sangue. Ao sentir o medo, nossas emoções e sentimentos são modificados, pelo instinto de preservação presente em nosso interior. Utilizarei como exemplo o meu querido amigo Abraão.

Abraão foi chamado para sair de sua terra aos 75 anos, velho e sem filhos. Só não foi-lhe dito qual lugar fixar residência, Deus iria mostrar-lhe no futuro. (Aonde e quando não são questões articuladas, mesmo na insegurança). Este homem, juntamente com seus escravos e esposa, sai rumo ao desconhecido, construindo o primeiro altar na cidade em que escuta seu amigo Deus dizer que seria de sua descendência.

Onze anos se passam, a promessa é lembrada mais uma vez e… nada. Abraão e Sara não conseguem ter filhos, para ser possível uma descendência. Começam a pensar que podem estar interpretando errado o que Deus disse (a insegurança tomando forma), e então Sara dá sua escrava Agar a Abraão, para ter filhos por meio dela. E ela dá a luz a Ismael.

Quatorze anos após o nascimento de Ismael, Isaque é gerado por meio de Sara. A promessa feita por Deus há vinte e cinco anos é com relação à descendência de Isaque, mas Ismael também é abençoado e recebe visitações de Deus junto à sua mãe Agar em tempos de crise.

Em duas situações distintas, Abraão mentiu a dois reis sobre quem era Sara, pois sentiu medo de ser morto por ser esposo de tão bela mulher (olá, medo). Nas duas ocorrências, os homens foram impedidos por Deus de possuí-la com a promessa de suas famílias e povo serem castigados, caso esta não fosse entregue a Abraão rapidamente.

Acho que Abraão já tinha entendido o que seu amigo leal Deus admirava; pelo menos eu vejo um padrão aqui. Nas situações em que ele teve medo e “bolou” saídas desesperadas, a vida complicou. Por exemplo, Ismael teve de ir para outro lugar para começar sua descendência, que hoje enfrenta grandes preconceitos, luta por terras e é maltratado. É um povo abençoado e amado por Deus, mas muito sofrido debaixo do Sol.

Sabe por que acho que Abraão viu o “padrão” de Deus na vida dele? Porque quando Ele provou Abraão, pedindo para sacrificar a sua descendência (Isaque) depois de obtê-la com tanto desgaste e após tanto tempo de espera, ele não hesitou, não passou dias chorando e perguntando “POR QUÊ?”. Tomou seu filho e foi. E mais uma vez Deus lhe atribuiu isto como justiça.

E no final, mesmo com os efeitos colaterais do ser humano imperfeito, Deus teve prazer em ver ser trabalho completo. Porque mesmo o medo sendo algo intrínseco ao homem nesta vida, ele é minimizado à medida que andamos ao lado do nosso amigo Deus e ouvindo Seu coração. E no desfecho da vida, Sua vontade perfeita ainda é realizada em meio a nossa imperfeição. Como dizia o querido Renato Russo,

“E o teu medo de ter medo de ter medo não faz da minha força confusão.” Legião Urbana – Daniel na Cova dos Leões

Quero aprender com Abraão ao lado de Jesus. E crer realmente em Deus com todas as minhas forças e entendimento e ficar contando estrelas até quando Ele assim desejar. Eu não quero ter medo.