Lágrimas. Esperança. Contentamento. (parte 3)

Há apenas dezoito meses eu iniciei uma série de posts e não a completei. A razão disto não foi falta de tempo porque são dezoito meses, afinal. Simplesmente não finalizei esta série por não ter encontrado o ingrediente necessário; eu sabia que estava faltando alguma coisa.

Então, depois de muitos risos, altos e baixos, buracos (quase) sem fim; além de uma pequena mudança para um país não-tropical excelente com data de validade de um ano (já está acabandoo!)… cá estou eu terminando a série que não teria fim. Sabe por que demorei tanto a escrever? É sobre o contentamento! E por incrível que pareça, a Lisandra não estava contente durante a maior parte do tempo nestes meses.

É claro que coisas incríveis aconteceram: eu vim pra Noruega, conheci pessoas diferentes, fiz novas amizades (e internacionais), as minhas antigas estão mais fortes do que nunca (e meu coração mal pode esperar pelo reencontro!), aprendi a morar sozinha, viajei para umas cidadezinhas muito entediantes (ironia, caso nao tenha percebido) e ainda posso adicionar muitas outras coisas na lista. Entretanto, em meio a tudo isto, o meu coração não tinha encontrado a paz, e consequentemente, o contentamento.

Eis então que inicio uma leitura muito transformadora. Eu já estava segurando este livro há praticamente um ano pois eu sabia que eu não seria mais a mesma após lê-lo. Aqui vai um parênteses:

Minha amiga Camilinha, você não tem ainda a ideia do quanto eu agradeço ao Pai pelo seu presente e por tê-lo trazido à Noruega comigo! Vai receber muitos abraços quando eu voltar (por causa disso e por causa da saudade gigantesca mesmo!).

Ok, voltando, rs. Este livro se chama Beijos de Katie, uma biografia escrito pela própria Katie Davis, mãe de quatorze filhas na Uganda. Eu sempre senti meu coração pulsar a ler biografias como a dela, Amy Carmichael (a mulher que quero ser parecida quando crescer) e Madre Teresa. Sempre admirei seus corações e Quem os movia em favor dos outros, porém nunca tinha parado para perceber o que elas renunciaram e a intensidade da dor desta renúncia em favor do Reino Eterno. Estas moças renunciaram tudo o que as impediam de continuar caminhando na estrada que o Pai selecionou em sua grande sabedoria. E essa renúncia foi/é dolorida, porém imprescindível para o desenvolvimento de seus projetos, que na verdade já eram dEle.

Esse livro me lembrou da diferença entre coragem e fé. Eu sou uma das pessoas menos corajosas que conheço, mas descobri que consigo dar o primeiro passo no escuro, uma decisão que me leve para fora do barco; porque eu sei que Ele está ali fora, mesmo que não esteja visível. E eu descobri que eu prefiro estar nesse lugar escuro e por vezes aterrorizador, a estar sentada em meu barco na ausência do meu Guia.

Então em meio a todas essas descobertas e lembranças, eu agi. Após dias de luto, solidão e agitação, eu finalmente renunciei algo muito precioso que já me era solicitado há alguns anos. O interessante é que a paz que excede todo entendimento veio ao meu encontro de mãos dadas ao contentamento. E além destes sentimentos inesperados, algo mais louco ainda aconteceu. Eu encontrei o meu destino, aquilo que move o coração de Deus e o meu coração na mesma frequência. Encontrei aquilo que persegui por tanto tempo sem sucesso: o contentamento. Ele estava escondido esse tempo todo no Eterno, e Ele só o deu a mim após eu entregar a Ele exatamente tudo que minhas pequenas mãos teimavam em segurar.

crianças nepalesas

crianças nepalesas

“Encheste meu coração de alegria, alegria maior do que aqueles que têm fartura de trigo e de vinho.” Salmos 4.7